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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Três segundos...

Eu queria dizer, a quem interessar possa, que tem dias que de noite é foda. Porque assim... a gente sempre nunca gosta quando alguém vem com aquelas frases prontas sobre a vida, o universo e tudo mais. Mas aí um dia, você vive exatamente aquela situação, e aquela frase pronta que você sempre nunca gostou acaba virando sua frase favorita. Ok, agora é o momento no meu post em que eu digo qual é a minha frase favorita que eu sempre nunca gostei. Béééééé, resposta errada.

Por exemplo... pra quem está despencando de um elevador no Hopi Hari a 60 km/hora, três segundos duram uma vida inteira. Quando você pensa em começar a gritar, já era, acabou, o estômago bateu na garganta e já voltou pro lugar. O que são três segundos na hora de ficar mais um pouco com alguém que se ama, antes de pegar o bus pra voltar pra casa? Pra quem vê de fora, não faz diferença. Pra quem está se despedindo, a diferença é grande. Em três segundos você consegue fazer muita coisa. Digitar bastante palavras, trocar olhares, entender uma piada...

Tem gente que consegue quase morrer em três segundos também. A situação é a seguinte: você sai atrasado pro trabalho, e por isso vai na velocidade máxima permitida. 40 km/hora não quer dizer muita coisa dentro de um carro, mas em cima de uma moto e dentro da cidade, é rápido. Você freia por três segundos na rua debaixo e decide pegar um caminho diferente pro trampo pra desviar da poeira do caminhão. Por causa desses três segundos, você vê um ônibus da Piquiriguaçu simplesmente passar voando na sua frente, quando na verdade o correto seria ele parar na preferencial, caso algum carro/moto/ciclista/pedestre... enfim... caso algum ser vivente estivesse passando por ali naquele momento. Mas não. Por causa daquele três segundos que você perdeu na sua vida freando a moto, você vê essa cena. Por que, meu filho, se não tivesse freado, a cena nem teria sido vista... ou até seria... de um outro ângulo, talvez um pouco mais perto do ônibus, muito provavelmente até debaixo do ônibus, olha que privilégio...

Não é uma coisa meiga?

Então... tipassim... se você não liga pra sua vida, o problema é seu. Dê um jeito de não deixar os pulsos pro final, de preferência sem muita sujeira que é pra não dar trabalho pro coitado do zelador ou empregado que vai ter que limpar a bagunça toda... Mas não venha cortar preferenciais na minha frente, porque eu não tô muito afim de saber como é a vida depois da morte (hein?). Nem as crianças do ônibus pediram pra estar numa roleta russa em que a regra do jogo depende de uma variável tão cruel do tipo "Ah, será que agora vem um caminhão, uma moto, uma bicicleta ou um pedestre? Tomara que seja pedestre, não vai estragar tanto o ônibus que eu dirijo".

Espero, do fundo do meu coraçãozinho meigo, gentil e carinhoso, que você broxe no meio daquela suruba que você deve ter marcado com as mulheres mais gostosas e os seus melhores amigos. Também rezo para que, se possível, alguém esteja com uma câmera digital nessa hora e registre o momento. Também rezo muito pro dono da máquina digital ser um escorpiano e postar a foto na net e que ela chegue até mim. Para que eu posso encaminhar pra torcida do Flamengo inteira. Amém.

Filho duma rapariga corinthiana de beira de estrada vicinal do Acre!

Um comentário:

Emerson disse...

three seconds to mars

sobre esse escorpiano, no meu caso seria eu mesmo, eu anotaria o número do onibus, ligaria na pgterror e entregaria o meliante para o chefe dele

isso se eu me lembrasse disso na hora