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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O tempo passa, o tempo voa...

E a Poupança Bamerindus agora é do HSBC.

Acho que isso descreve perfeitamente o meu estado de espírito nesse exato momento. Até cansa essa coisa de estado de espírito. Geminianos com diferentes estados de espíritos cansam. Cansa ser geminiana. Tá todo mundo mudando? Ah, que saco! Não que mudar não seja legal. Eu, por exemplo, mudei a cor do meu cabelo. De novo. Quase dois anos e meio sem pintar, e aquelas tintas me chamando no supermercado, farmácia. Resisti não. Mudo a cor do esmalte toda a semana.

Mas tem umas mudanças tão tristes. Gente que era tão legal e, de repente, vira gente chata. Coisa que a Luciana aqui não consegue entender. Não entra pra minha cabeça. Alguns discursos que antes eu considerava do tipo "cabeça-aberta" agora viraram discursos que eu considero "moralistas-fanáticos-radicais". Ou seja... chatos!

Todo dia alguém cita a bíblia no orkut. Todo dia alguém se converte. Todo dia alguém olha pra trás e nega tudo que foi bom durante a infância, a adolescência. A fanática católica carismática se converte pra uma religião daquelas em que só se pode usar saia. A outra fanática católica carismática vai na missa pra ver a roupa que as outras usam... e contar pra geral e torcida do flamengo. Uma lá, que gostava de rock, de balada, detestava a hipocrisia... de repente tá lá com as mesmas pessoas e atitudes hipócritas. A ex-rebelde-sem-causa, ex-gótica, ex-com-piercing-na-língua... praticamente ex-tudo tá lá firme e forte confiando no senhor. Basta casar pra começar a postar frases religiosas e/ou se converter.

Ah, cansay. Desanimay. Broxay. O orkut não é meu. Mas os amigos eram meus. Eram, não sei se ainda são. Em algumas situações, eu não prefiro ser uma metamorfose ambulante. (Eu vou lá e cito Raul Seixas. Fim de carreira.) Precisa deixar de ser legal pra adorar e louvar o senhor Deus? Precisa? Precisa virar um chato-cego-fanático-radical por causa de um cara massa pra caramba que pregava que as pessoas deviam ser felizes e se respeitar? Pra que tanta regra e exposição se todo mundo sabe que, no fundo, o que importa é o que você realmente pensa e quem você realmente é?

Você também mudou, Luciana. Aham, mudei. E não me deram porra de chance nenhuma pra que eu pudesse me explicar. A única coisa que eu ganhei foi a chance de ser humilhada, traída e zombada por pessoas que um dia eu considerei amigas de verdade, sem a mínima condição de defesa. E olha que no meio dos envolvidos tínhamos uma nobre estudante de Direito e outros que se achavam OS justinhos. Pessoas que, com o peito estufado apontavam com o dedo indicador esticado no meu nariz o quanto eu tinha mudado. Todas cheias da razão. Todas desprezando abominavelmente os princípios morais dos quais me acusavam de ter transgredido. "Você mudou. Não fala mais. Não se explica mais. Virou arrogante, duas caras e fofoqueira". E vocês? Que tipo de amigos são esses que ao invés de resgatar uma amizade escolhem não falar, não pedir explicação, ser arrogante e tecer comentários nos MSNs da vida sobre a execrável Luciana. Ops... não era disso que me acusaram? Queriam me fazer mal? Sem falsos rompantes de força: pontos pra vocês. Vocês não sabem o tamanho do mal que me fizeram e ainda fazem. Felizes? Espero que NÃO.

Não tenho vontade de pedir desculpas, simplesmente porque não tenho porquê fazê-lo. Faz tanto tempo e o machucado ainda não sarou. Nem sei se um dia vai sarar. Não esqueci nenhuma, NENHUMA das palavras ditas pela nobre advogada wannabe em nome dos meus outrora amigos. Amigos a quem entreguei meus maiores segredos. Amigos que comeram com a minha família e dormiram na minha cama. Amigos que escolheram me trocar por outros que, conhecidos apenas virtualmente, sustentavam apenas virtudes. Virtudes virtuais. Duvido que reais. Pessoas que não conseguiram entender ou suportar a minha felicidade. Pessoas que eu pensei que estariam do meu lado pra vida toda, como bons amigos de parceiragem, pra melhor ou pior. Gente que teve a coragem de se omitir e/ou a audácia de se fazer presente na hora de maior dor da minha vida.

E toda vez que eu lembro dessa história ridícula eu choro. Choro de saudade e choro de raiva. Saudade era uma coisa que eu não queria sentir. Só prova o quão idiota eu ainda sou e o quanto eu ainda tenho que aprender. Choro de ódio de mim mesma por ainda achar que um dia tudo vai voltar ao normal. Choro de ódio da humilhação que eu sinto quando penso que essas pessoas devem estar felizes e rindo agora que o motivo de tudo acabou. Choro de ódio por não ter tido chance de me defender. Choro toda porra de noite por motivos que eu nem conheço. Choro por pessoas que saíram da minha vida achando que eu não merecia ao menos uma ligação. Choro por não entender o porquê de você me deixar sem respostas. Choro por que não fui capaz. Porque estou cansada. Desanimada. Porque não vejo futuro.

Acaba logo mesmo, ano idiota. Só me fodi nessa merda. Até me assusta a onda de indignação que vai subindo á medida em que eu vou escrevendo toda essa porcaria. É se expor demais. É revolta e indignação demais. Humilhação demais. Vontade de gritar tanta coisa pra tanta gente. Mas, escrever.parece ser o único jeito de começar a passar por cima de várias coisas. Se é que um dia eu vou conseguir esquecer. Pessimismo? É... assim que a gente se sente quando nos tratam como lixo.

Quer saber? Tomara que eu me converta também. Mas nem isso eu vou conseguir. Perfeito seria se eu conseguisse fazer sarar todos esses machucados que acabam ficando insuportavelmente pesados quando eu não consigo frear a memória. Perfeito seria uma vida em que eu não tivesse vontade própria e me guiasse apenas pelas palavras de pseudo-conforto dos pastores. Fugir. Talvez seja essa a resposta que eu ainda não tinha encontrado pras conversões. Fugir. Sai da frente, eu quero fugir.

Feliz Ano Novo é o caralho!

E foda-se o Bamerindus, eu nunca tive conta lá mesmo.
¬¬

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