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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Palavrão: falar ou não falar?

Quem me conhece e lê o blog sabe o tanto de palavrão que eu falo. Principalmente se eu estiver enfurecida. Quanto mais enfurecida, mais palavrão eu falo, e mais de baixo nível.

Também sempre falei que era hipocrisia não falar palavrão. Todo mundo manda um palavrão uma hora ou outra, com mais ou menos frequência. Que besteira ficar cuidando pra não falar palavrão na frente dos outros.

Mas o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus agora é HSBC. Ou seja... as coisas mudam. Veio a Júlia, e a agora o Arthur... e eu me peguei cuidando o palavreado na frente dos pequenos. Vamos deixar uma coisa bem clara: eu NUNCA falei palavrão na frente dos meus alunos pequenos. Kids e Teens nunca ouviram um palavrão da minha boca, a não ser o "putz!" Não vou considerar palavrão o "droga!" e o "eita pêga!" porque não ofendem.

Aí, eu fiquei com aquela dúvida, né? Por que eu freio o palavrão ou peço desculpas pra Júlia todas as vezes que eu deixo um palavrão escapar? Eu estava me contradizendo, porque até então eu achava que a criança ia aprender palavrão uma hora ou outra... é fato. Mas eu simplesmente não conseguia falar palavrão conscientemente na frente da Júlia e na frente dos pequenos da escola.

Só fui entender e chegar a uma conclusão esse fim de ano. Deixa eu contar... estávamos no intervalo de uma reposição de aula. A aluna comentou com a diretora e a secretária sobre filhos pequenos e disse que a filha dela tinha vindo com o primeiro palavrão. A menina tem cinco anos e um belo dia disse: "Ih, mãe, fodeu!"

Então, a minha aluna contou que disse à filha: "Olha aqui, se você for falar palavrão, tem que saber o que significa" e contou pra ela o que era a palavra foder. Disse que a filha ficou toda horrorizada, que não queria mais saber o que significa os outros palavrões e que não falaria mais nenhum palavrão. Ok, ela resolveu o problema do palavrão com a filha de cinco anos.

Mas e daí, Luciana? O que isso tem a ver com a paçoca? Tem a ver que eu fiquei repensando o dia inteiro o que ela tinha falado: "se você for falar palavrão, tem que saber o que significa". Isso fez eco a semana inteira na minha cabeça e eu acabei por entender e tomar uma posição a respeito de falar palavrão na frente de crianças.

Pra quem enche a boca pra falar mal de pedófilos e tudo o mais, como eu encho, não faz sentindo usar palavras do tipo "foder" ou então "vai tomar no cu", "filho da puta" e por aí vai, na frente de crianças. Uma criança não deve e não precisa saber o que tudo isso significa antes da hora certa. Imagina só se eu vou querer que a Jú ou que os meus baixinhos saibam o que significa ser uma "puta". Nunca! Never ever!

Eu sei, eu sei que mais cedo ou mais tarde eles vão aprender a falar o palavrão, mesmo sem entender. Fato. Mas isso faz parte da vida escolar, não tem como colocá-los numa bolha de plástico e protegê-los pra sempre. Só que não é da minha boca que eles vão ouvir e aprender.

E digo que, daqui pra frente, ninguém mais fala palavrão na minha frente enquanto houver crianças por perto. Se alguém falar, eu farei questão de explicar a minha posição sobre o assunto. E, se eu deixar escapar um palavrão na frente de crianças, fiquem á vontade pra me lembrar dessa posição. Não vou querer meus alunos pequenos, meus sobrinhos, meus filhos (own, que sonho!) falando coisas que não competem ás suas idades, aos seus pensamentozinhos, ás suas vidinhas tão perfeitas, felizes e sem preocupações.

É tão melhor agora que eu tenho essa posição tomada, que eu entendo o motivo dessa minha postura.

Portanto, falar ou não falar palavrão na frente de crianças?
Eu escolho NÃO FALAR.

Eu disse NA FRENTE DE CRIANÇAS. Com adultos é diferente. Existe uma hora e um lugar pra tudo. Eu imagino assim: o que é que EU... veja bem... EU pensaria se estivesse numa mesa na lanchonete e alguém da mesa ao lado disparasse um palavrão por segundo? Eu me sentiria desconfortável. Ou acharia que era alguma provocação, etc.

Pois é. Acho que palavrão é pra ser dito sim, é uma forma de "escape", mas também tem hora e lugar pra isso... é difícil me ver falando palavrões com pessoas que não conheço direito. Palavrão é uma forma muito íntima de expressar o que a gente pensa, e não é com qualquer um que a gente deveria demonstrar essa nossa forma de pensar. Acho que só as pessoas mais chegadas merecem ouvir nossos palavrões e falar palavrões com a gente, justamente por causa desse "intimidade" que eu penso que os palavrões exigem.

Quem sou eu pra dizer o que cada um deve ou não deve falar, né? Mas eu deixo aqui, então, dois registros:

* a sensação boa que é quando a gente entende os motivos das nossas atitudes/posturas.

* Juju, quem sabe um dia, quando você for maior e talvez ler isso daqui, eu quero que você saiba que a tia Lu gosta tanto, mas tanto, mas tanto de você... de um jeito que ela nem sabe explicar, mas gosta TANTO que ela se preocupava em não falar palavrão na sua frente. Coisa boba, mas como era bom pra você, então era bom pra mim.

Ainda escrevo um post sobre essa coisa de "tia Lu".

Um comentário:

Cris Pironi disse...

Lu, sabe qdo eu passei a achar q falar palavrão é hipocrisia? Qdo uma pessoa falou - acho q a Dercy Gonçalves (kkkkkkkk) q não é palavrão, é palavra, como outra qualquer, o ão são as pessoas q colocam.

Acho q é verdade, prefiro q uma pessoa me fale "Sua filha da p*!" com aquele brilho no olhar de quem quer dizer, muié, vc é f*, vc quebraq, td, ahaza! Do q q me diga: "Nossa, vc é ótima", com aquela cara de desdém, de inveja, de falsidade, enfim...

Porém, devo ter dizer q não tenho lá muito hábito de falar palavrão, mas às vezes eu falo, e eu concordo com a postura q vc adotou, tb faço, pq quer seja hipocrisia, quer não seja, vivemos numa sociedade e algum encaixe temos de buscar, ainda mais no seu caso, q é educadora.

Concordo, tb, q é preciso saber o q se fala, e q detesto crianças palavrentas.

Essa questão é mesma complicada!

Outra coisa q discordo é de pessoas q não querem falar "câncer" ou "danada", isso não acho q seja. Mas vai saber, cada um tem hábitos e superstições que lhe são inerentes, quem sou eu pra julgar heuheuheue.

Bjooooooo!!!