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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

domingo, 25 de outubro de 2009

Nós e nossas burrices

Eu nunca entendi muito bem essa coisa de vento arrancar casa do chão, chuva levar carros rua afora... Não porque eu moro em cidade pequena e só vejo isso através da televisão, mas porque eu considerava isso contra as leis da Física, sabe?

Como uma aguazinha de nada carrega um carro, gente? Um carro pesado! Como um arzinho em movimento de nada consegue levantar uma casa do chão? Esqueci que, quando estamos dentro d'água, somos mais leves. Então, me convenci de que uma exurrada arrastava carros e caminhões sim...

Ainda faltava me convencer do vento. Ainda achava que a culpa era daquele povo norte-americano que teimava em construir casas pré-fabricadas e encaixadas como se fossem quebra-cabeças. Até ontem, sábado de tarde.

Eu sempre gostei de chuva, banho de chuva, barulho de chuva. Apesar de tudo, acho tempestades com ventos e raios uma coisa linda de se ver, mas sempre tive medo incutido, do tipo "menina, sai de perto da janela pra não puxar raio!" e esse tipo de coisas. Nunca estive no meio de uma tempestade, sem ter pra onde ir ou correr. Até ontem, sábado de tarde.

Tinha tudo pra eu chegar em casa normalmente, mas eu tinha coisas pra fazer: almocei fora porque nem o Fer e nem a mãe estavam em casa ah tá que eu ia cozinhar só pra mim e tinha que pegar uma pizza que o terceirão estava vendendo lá no colégio ás 13:30. Nem era 13:00 ainda, então eu fui á farmácia e ao mercado, pra não precisar ir pra casa e voltar de novo pro centro só pra pegar a pizza. Saí do mercado com uma chuvarada. Até aí, nada demais. Eu até pensei: "finalmente uma chuva normal, sem vendaval".

Mas quando ia voltando pra casa depois de ter pego a pizza lá no colégio, a coisa toda começou. Ventos que faziam as árvores entortarem quase até a metade. Alguns galhos entortavam tanto que chegavam a encostar no chão. E eu dentro do carro dirigindo no meio daquilo tudo. Primeiro achei que seria melhor acelerar pra chegar em casa logo, mas vi que seria uma besteira sair que nem uma louca sem conseguir ver 50 metros na minha frente. E a chuva castigando vidros e lataria, o negócio lá que tira a chuva da frente do pára-brisa (que eu esqueci o nome, caraio kkkkkk) não vencia em tirar a água do vidro pra eu conseguir enxergar.

Pensei em parar na casa da Van, que era caminho, e pedir abrigo. Mas logo desisti da idéia por que precisaria deixar o carro debaixo das árvores. Passei direto e vim pra casa. Na frente da UFPR tinha DUAS árvores caídas, ainda bem que eu não precisava ir até lá. Mas já tinha dado pra perceber que as coisas no meu bairro tinham sido piores do que no centro.

Virei a rua de casa e já vi dois galhos caídos aonde? Aonde? Na frente do portão da minha casa. Não eram tão grandes, então eu embiquei o carro pra entrar. Não tinha eletricidade, o portão não abriu FDP! Sabe aquele segundo que você tem que tomar uma decisão e num flash as idéias aparecem e são descartadas? A primeira idéia foi deixar o carro ali e esperar a chuva passar. Má idéia, o carro ficaria embaixo da árvore. A melhor idéia foi dar ré, passar por cima dos galhos de novo, e subir em cima da calçada, deixar o carro bem na frente do portão menor, onde não tinha nenhuma árvore e nenhum galho poderia cair.

Ok. Fiz o que tinha que fazer. E fiquei dentro do carro esperando o temporal passar. E a chuva lá, batendo de lado nos vidros da janela, fazendo galhos voarem pela rua. E eu comendo barrinha de cereal pra esperar o tempo passar. Eu é que não ia ser besta de sair de dentro do carro e correr o risco de me acidentar de alguma forma. E o vento entortando galhos, uivando, jogando a água com força na lataria...

Pensando bem na situação agora, é complicado e dá pra entender porque as pessoas cometem as maiores burrices em situações perigosas. Eu errei demais e poderia ter me ferrado, só porque eu queria chegar em casa e guardar o carro na garagem pra ele não estragar. Olha que idiota! Ao invés de pensar na minha vida primeiro!

As tragédias acontecem por sucessões de erros, não tenho dúvida, porque a gente é muito apegado a coisas que, se forem perdidas, não vão fazer tanta falta quanto a vida de alguém. Eu cometi uma sucessão de erros, a saber:

a) deveria ter voltado pra casa direto do supermercado. Poderia ter ido buscar a pizza mais tarde. Mas a natureza carcamana não queria voltar pro centro mais uma vez, gastar combustível mais uma vez, só pra pegar uma pizzazinha.

b) já que fui buscar a pizza, deveria ter ficado lá no colégio e esperar pra ver se era mesmo uma tempestade ou uma chuvinha de nada. Mas o medo de algum galho ou granizo acabar com o carro foi maior.

c) já que saí do colégio, deveria ter parado em algum lugar seguro assim que o temporal começou, tipo o estacionamento do mercado no caminho da minha casa. Mas a vontade de chegar e guardar o carro - sempre o carro - era maior.

Pelo menos fiz UMA coisa certa, que foi por o carro em cima da calçada e ficar bem quietinha lá dentro esperando o pé d'água mais o vento passarem.

Acontece que o carro está no seguro, e a minha vida não. Imagina só a dor que eu poderia causar pra minha família e amigos se algo de ruim acontecesse comigo? Com minha mãe e irmão longe, eles não teriam como me ajudar. E a besta quadrada da Luciana fez questão de fazer tudo errado.

Nem vou contar essa história aqui em casa, que é pra não ter que ouvir sermão, mas eu precisava dizer pra alguém. Eu não errei por mal, errei querendo acertar. Mas agora eu percebo e entendo porque as pessoas fazem burrices na hora em que mais precisam ser sensatas e ter calma e paciência.

Se fosse com minha mãe, irmão ou amigos, eu preferiria mil vezes perder o carro do que perdê-los.

E agora, eu ainda tenho a pachorra de terminar esse post dizendo o seguinte:

Dirigir no meio do temporal, com chuva, vento, coisas voando e Dream Theater no rádio do carro é TE-SÃO. MUITO BOM! TEEEEEE-SÃOOOOO.

Mas foi só dessa vez. Eu juro.

4 comentários:

Bonitas e bacanas disse...

Luuu, que medo. Eu odeio fenômenos naturais.

Eu te entendo. Podia nao acontecernadda com vc, mas com o carro sim, então vc quis salvá-lo. Mas realmente, vc vale muito mais. É que a gente sempre acha que vai dar e vai indo, né?

Já vi várias árvores caídas pelo meu caminho, principalmente na avenida do Parque do Ibirapuera. Mas nunca nenhuma caiu em mim.
Aqui em Sp qdo tem aquelas enchentes que passam na TV< eu sempre as enfrento. Graças a Deus o meu caminho é um dos menos piores. Tem gente que se ferra mesmo. Mas mesmo assim eu morro de medo.
Bjsss

Vanessa disse...

Poderia ter colocado o carro dentro do pátio aqui em casa também, amor.
O importante é que você está bem, saudável e com todas as partes nos lugares.
Não sei se ainda falo que se precisar pode ligar a QUALQUER HORA.

Amomaisquefalar"oláemcasa"

André disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André disse...

Mas o Carro ta Bem?? não arranhou?? O.O

Nota mental: "Ter cuidado ao sair com ela de carro em dias de tempestade!"