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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados... e não choveu!

Sempre chove... mas não choveu. Fez um calorão do inferno aqui e eu já estou revendo a minha opinião sobre preferir o verão ao inverno. Mas eu posso mudar de idéia, porque eu sou geminiana.

Não fui no cemitério, por razões que não vem ao caso. Mas fiquei com dor na consciência. Só que eu sei que o meu pai não está lá.

Meu pai está na porta da frente de casa, fumando o cigarrinho dele com a mão esticada pra fora "pra fumaça não entrar".

Ele tá ouvindo um disco na vitrola e contando pra gente sobre a época em que ele era um d'Os Dragões.

Meu pai tá lendo o jornal na mesa da cozinha e comentando sobre os fatos da grande Palotina.

Meu pai está tocando violão na sala, tarde da noite, e eu pego no sono ouvindo ele dedilhar o violão.

O meu pai tá chegando de bicicleta do supermercado trazendo as coisinhas que a mãe pediu pra ele trazer.

Meu pai tá sentado na beira da cama dele, todo atrapalhado com os papéis, os recibos, os trocos, mexendo e remexendo na pastinha de couro dele, depois de ter ido pagar as continhas pra gente na cidade.

Meu pai tá lá na garagem, rodeado de porcas, parafusos, rodelas, chaves de fenda, consertando alguma coisa que, no final, vai ficar pior do que estava.

Ele tá sentadinho na beira da cama, com as pernas magrinhas cruzadas, ouvindo o radinho dele chiando.

Ele está lendo uma Guitar Player nova e fazendo anotações com o marcador amarelo nas partes das liçoes que ele acha mais importante. Ou então, relendo uma Guitar Player antiga, mexendo no óculos, passando a língua na boca e tentando repetir na guitarra desplugada o que ele sublinhou em amarelo.

Então, eu não preciso ir ao cemitério só pra minha consciência não pesar. Eu não preciso ir lá pra lembrar do meu pai, porque eu lembro dele todos os dias. Todos os dias

2 comentários:

Priscilla Watanabe disse...

Concordo plenamente com você.
Vale muito mais você lembrar da pessoa querida, todos os dias da sua vida e mantê-la viva em suas lembraças, do que ir ao cemitério uma vez ao ano para velar a sua partida.

Perfeito Lu!

Van disse...

Clichê dizer que me emociono quando leio algum texto que você escreve sobre seu pai.
Só o que o amor faz com a gente para suportar tudo isso.