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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sobre os idosos...

Choro toda vez que vejo pessoas idosas sofrendo. Sei lá, eu lembro do meu pai.

Não gosto e sofro junto, porque eu me lembro do meu pai.

As pessoas idosas não poderiam ser deixadas de lado, não poderiam ser abandonadas pelos filhos que criaram. Não poderiam ser olhadas como se fossem um estorvo, sabe, porque elas têm muito pra ensinar. Elas sabem mais que a gente, e me dói imaginar a solidão que alguns deles sentem nos quartos, nos asilos, nos hospitais.

Uma pessoa que te criou não pode ser simplesmente deixada de lado porque te dá trabalho. Quando você nasceu, você também deu trabalho, sabe? Alguém que te cuidou tanto não pode ser esquecido.

Esses dias eu vi um idoso remexendo no lixo. Não sei o que ele estava procurando, não sei como foi a vida dele quando adulto, não sei se ele foi uma pessoa ruim... mas sei lá... no fim da vida e remexendo no lixo? Procurando o que? Um humano não é cachorro, gente.

Se a pessoa foi ruim, sabe-se lá o quanto a vida e o sofrimento não ensinou? O arrependimento já deve ser um castigo tão grande...

Nossa, tô vendo esse Profissão Repórter e me derretendo de chorar.

A médica dizendo:
"Se a gente não ensinar os filhos a cuidar dos avós, quem vai cuidar de nós?"

E é bem isso. Eu gostaria de ter sido mais compreensiva com a minha nona. Gostaria de ter respeitado mais. Gostaria de ter entendido melhor meu pai. Gostaria de ter passado mais tempo.

Acho que essa coisa de TEMPO é o que mais faz a gente se arrepender, sabe? Portanto, se alguém chegou até aqui, gente... gastem o tempo com os seus idosos. Paciência pra ouvir, aprender e entender.

Dói demais, demais quando a gente não tem mais eles por perto pra poder fazer melhor.

Um comentário:

Bruna Belatriz Brasil disse...

Oi Luh
Muito interessante esse post dos idosos. É uma faca de dois gumes sabe. Vejo a minha mãe sofrer um monte porque não tinha condição de largar o emprego pra ir lá cuidar do meu avô, e ele acabou morrendo atropelado e ela super se culpa. Mas daí lembramos de quem foi meu avô: um homem que aos 40 e poucos anos ficou viúvo, com 10 filhos pra criar; e cuidou bem, pois nenhum dos filhos virou bandido, prostituta ou michê. Meu avô materno me ensinou muitas coias: a viver a vida com dignidade, a viver a vida intensamente, a simplesmente VIVER com muita força de vontade. Por mais que meu avô tenha tido uma morte violenta, ele morreu VIVENDO, fazendo a coisa que mais gostava, andar de bicicleta. Como você sabe trabalho num ambulatório daqui de Cascavel, então recebemos todo o tipo de pacientes e os idosos são os que mais me comovem. É muito triste ver uma pessoa idosa, acamada, dependente de tudo e de todos, se sentindo humilhada. Na terça-feira e ontem chorei muito com duas situações distinatas, porém muito tristes. Na terça tinha uma senhora que estava fora do juízo (sem brincadeira), ela estava acamada e com um vestido, e ela não tava de calcinha, daí a filha dela tava junto, chorando. Conforme eu passava ali, compreendia o desespero silencioso da filha daquela senhora: a senhora se comportava como um bebê, erguia as pernas, aparecia tudo (:$ super constrangedor), daí foram fazer limpeza naquela senhora nas regiões pudendas e ela ficou tão indefesa, a pele em carne em viva. É muito triste você ver sua mãe que foi forte a vida toda se acabando assim, louca, sem controle próprio. Mas a filha tava ali, e louca ou não, aquela senhora era mãe dela.
Ontem, foi pior, porque tinha uma outra senhora, que apesar de não ser louca, não estava tão animada quanto a outro, deu muita dó dela, porque ela parecia um animal abandonado e encolhido sobre aquela maca, daí aquela inútil da filha dela querendo ir embora "pra cuidar dos dois netos" (E onde estava os pais desses netos, porque não cobrou dos filhos essa responsabilidade). Acredita que ela queria deixar a mãe pra cuidar dos netos que estavam sozinhos em casa? Acredita que ela teve a pachorra de completar isso falando que estava cansada de ficar ali e que como a mãe dela não podia se mexer ela ia ir embora? Me cortou o coração ver a resignação daquela senhora ali, tão carente, segurando mão da enfermeira e eu sem poder dar uns cascudos naquela filha infame dela. Minha colega falou assim "mas vai saber né Bruna, como ela foi antes de ser assim?" e eu falei "Tania, você acha que uma pessoa com aqueles olhos é capaz de ter feito algo de errado? Ela pode ter sido omissa (como grande parte das mulheres das antigas eram), mas ruim é que não foi. Ruim é essa filha dela!". Eu fiquei tão revoltada, tão louca da vida, que saí dali correndo antes de arranjar encrenca, mas chorei muito depois. Porque lembrei do meu avô, e pensei na possibilidade dele estar naquela situação e ngm fazer nada. E ela morreria de desgosto de morrer desse modo, SOBREVIVENDO e não VIVENDO que foi a maior lição de vida que ele deu a mim. Acho que falta muita sensibilidade nas pessoas, todo mundo quer viver por muito tempo, mas ngm se toca que viver por muito tempo implica problemas de saúde que muitas vezes nos fazem dependente dos outros. E é aquela história: o mal que se dá a outro é o mal que se recebe.