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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
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Desejados!!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sobre pontes, água e medos

Alguns dias atrás, escrevi sobre os lugares de maior incidência de suicídios. A maioria eram pontes nos EUA e Canadá. Quando fui responder a um dos comentários, decidi deixar aqui um relato sobre a minha experiência com pontes e águas paradas.

A ponte Ayrton Senna, que liga o Paraná (Guaíra) ao Mato Grosso do Sul (Mundo Novo) é a maior ponte que já atravessei em toda a minha vida. Ela foi construída sobre o Rio Paraná - ou Paranazão, como a gente carinhosamente chama o rio que acabou ficando enorme por causa da Represa de Itaipu. Antes, a travessia era feita com balsa. Pensa numa demora.

De acordo com a Wikipédia, ela é a única ponte no mundo (pffff) em curva na parte central com tobogã.

Hein? Tobogã?

É que, com muita inteligência, cada estado começou construindo sua parte, mas por causa de um erro de cálculo (dãp!) foi necessário fazer uma curva em declive (!!!) para que ambas as partes se encontrassem "proporcionando assim mais uma novidade".

Novidade? É a PIOR coisa no mundo. Dá a sensação de que o carro vai rampar aquela parte da ponte e acabar caindo naquele MUNDO de água.

Pra piorar, são 3.596 metros de extensão (3,5 km). Ou seja, não acaba NUNCA nessa vida por causa do tamanho e por causa da velocidade baixa que a gente tem que manter quanto cruza a ponte, além das ultrapassagens serem proibidas - por motivos óbvios.

O problema é que eu morro de medo de pontes sobre rios parados. Se a água corre, eu não tenho tanto medo. Mas se a água é parada, deuzolivre. Águas paradas são mais profundas, já não diz o ditado? E pra piorar tudo, eu sei que aquela área toda foi alagada por causa da Represa de Itaipu. Isso praticamente acabou com o desenvolvimento de Guaíra, que tinha no turismo das Sete Quedas um impulso muito forte para seu desenvolvimento.

Todas as pessoas que conheceram as Sete Quedas dizem que elas eram mais bonitas e mais emocionantes do que as Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Tinham até 90 metros de altura e o barulho da água podia ser ouvido a 32 km de distância. Se é verdade, eu não sei. Mas pelas fotos da época, eu acho que concordaria. Em Foz, você desce a encosta até chegar pertinho das Cataratas. É massa. Mas em Guaíra, você andava pelas pontes suspensas SOBRE as quedas d'água enormes e com vazão de água enorme também. Claro que havia o risco das pontes despencarem - o que de fato aconteceu já no finzinho, quando a água do Rio Paraná já tinha começado a subir e encher as Sete Quedas.

Tá vendo, bando de mal agradecido? A gente perde uma das forças do turismo local e ainda tem que passar um perrengue pra chegar até o outro lado da ponte só pra que vocês tenham energia elétrica! Hail, Paraná! Hail, Paranaenses! kkkkkkkkkkkk

Bom... aquele MUNDO de água parada debaixo da ponte, aquela imensidão de profundidade (22,5m - que ali em Guaíra deve ser quase de 100m, onde antes eram as Sete Quedas), aquela aberração de curva EM DECLIVE quando a gente vai chegando no Mato Grosso do Sul, aquela ponte que NÃO ACABA MAIS nessa vida... e meu irmão dirigindo e OLHANDO A PAISAGEM!!!

Eu já começo a respirar fundo na Polícia Federal do Paraná, uns 100 metros antes da ponte. Em cima da ponte, eu respiro fundo e pausadamente, agarrada á poltrona do carro. Assim, bem calma, como se fosse parir. Eu só não choro porque tenho que manter a dignidade, néam. Só volto a respirar normalmente alguns metros depois do final da ponte, já no MS. TENSO.

Eu só passo por essa provação porque as compras em Salto del Guairá compensam. Por isso, eu respiro fundo e decido me estressar numa boa. Hein?



Pequena, né? A curva é no MS.



Detalhes da ponte. Nas duas últimas fotos vocês podem ver a maldita da curva. Na segunda foto, dá pra ver como é "baixinha" essa ponte. E na terceira foto, atenção para o maldito declive.



A visão que a gente tem quando vai descendo o declive ¬¬


Um comentário:

Bruna Belatriz Brasil disse...

Hahaha
Sei bem o que é esse medo
de águas paradas
Sempre me admiro e me horrorizo quando passo pelo Rio Piquiri (o negro da morte como dizia meu avô). Beijoss