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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Tenta achar que não é assim tão mal"

O que a pessoa faz quando se descobre uma frustrada?

Sinceramente... acho que daqui a pouco vou precisar de tratamento. Nunca quero estar onde estou. Estou no trabalho, quero estar na facul. Estou na facul, quero estar em casa. Estou dentro da sala de aula, quero estar fora. Estou fora da sala de aula, quero estar dentro. Cansa.

Ter aquele sentimento de ser uma companhia desagradável, sempre com pressa, sempre vivendo as coisas pela metade, sempre a ponto de explodir, sempre a ponto de cair no choro, sempre com sono, sempre com cara de "sofrimento"... Já fui uma amiga e uma companhia melhor.

Pensei nesse post durante todo o caminho de Rondon a Palotina, lágrimas escorrendo o tempo todo, Leo segurando minha mão de vez em quando, eu achando que conseguiria chegar aqui e despejar toda mágoa, toda raiva, toda frustração que a minha vida tem sido ultimamente, e nada sai.

Não me levem a mal. Eu tenho meus momentos bons. Por isso que ser uma frustrada me dá tanta raiva. Raiva de magoar amigos que não tem nada a ver com meus problemas pessoais, a culpa não é deles. Raiva de magoar minha família que sempre tá ali do meu lado. Raiva por me sentir um lixo quando não consigo evitar magoar essas pessoas. Raiva e vergonha por saber que tem uma galere se ralando mais do que eu, e eu aqui, fazendo a coitadinha. Raiva por saber que não me faço de coitadinha, mas é a imagem que todo esse sofrimento, essa angústia e frustração vai acabar passando pras outras pessoas. Cansa.

Nunca me senti tão frustrada na vida quanto esse momento horrível. Já me senti mal quando fazia História? Sim, mas é diferente com Letras. É diferente com 30 anos. Me sinto frustrada por não conseguir fazer as coisas da facul direito. Minhas expectativas nem são tão altas: só quero entregar todos os trabalhos em dia e feitos da melhor maneira que o momento permitir, além de viver uma viva acadêmica fora das quatro paredes da sala de aula. É por isso que vivo querendo estar em outros lugares. Vivo querendo fazer meus trabalhos, ler meus livros... e tudo isso precisando corrigir tarefas, preparar aulas, pensar em estágio. Pensar em estágio me dá calafrios, me dá vontade de largar tudo, de desistir e nunca mais aparecer na faculdade - e eu nunca tinha considerado isso até o dia em que eu fui idiota o bastante pra não brigar pelo orientador que eu queria.  A gente toma uma decisão achando que está sendo adulta, pra depois ficar ouvindo das pessoas "você não se impôs o suficiente" ou "achei que você devia ter brigado mais" e "você desistiu fácil demais". Essa sou eu, então: a que desiste fácil demais.  Não que eu esperasse uma atitude sensata da outra parte em uma tomada de decisões importantes.

Cansa.

Nunca me senti tão dividida - despedaçada, eu diria. Parte de mim grita razão. Pede pra eu entender, sussurra que tudo vai ficar bem (eu sei, pai, eu sei), pede pra eu ter bom senso, ser justa, ser honesta, pra ter calma. Outra parte quer chegar na voadora. Quer mandar pra puta que pariu. Quer descer porrada. Quer gritar.

Cansa.

Quero fazer as coisas e não tenho tempo. E pau no cu de quem me mandar parar de escrever no blog e ir fazer o que preciso fazer. Só eu seu quantas vezes eu deixei essa terapia de lado pra fazer resumos, pra escrever e-mails do CA, pra ler textos e textos e textos.

Cansa.

Cansei de desejar conversas que nunca acontecem.

Às vezes penso que seria tão mais fácil ficar encolhidinha na cama, o dia inteiro, sem sair de casa. Às vezes eu até tenho medo de acordar assim um dia e não melhorar, e ficar dentro do meu quarto pra sempre. Daí eu penso nas pessoas que eu iria decepcionar. Pessoas que me contam piadas, me seguram a mão, me dizem que as coisas vão melhorar, me dão abraços apertados. Daí eu sinto vergonha do meu egoísmo.

Mas será que eu não posso sentir isso tudo sem sentir culpa? Será que eu não tenho esse direito?

Só sei que cansa.

Só sei que, só dessa vez, vou postar sem reler. Porque se eu reler, vou arrumar trechos. Ou vou apagar tudo. Só dessa vez, |Luciana, faz uma coisa sem pensar duas vezes. Sem, de verdade, se importar com o que as pessoas vão pensar, sem ficar pesando tudo antes numa balança.


3 comentários:

Mariana* disse...

Me vi tanto nesse post que estou até com os olhos marejados. =/

Quando aconteciam algumas coisas na faculdade que eu tinha vontade de mandar tudo pro inferno ou ficava me remoendo por não ter "lutado" por algo ou lutado demais e me frustrado, sabe quem me consolava? A Eloiza! (saudade gigante dessa pessoa).

Essa semana mesmo parei e pensei: cansa demais querer ser perfeita pras pessoas e se sentir uma fracassada (me desculpe, mas mesmo tendo me estabacado na faculdade, me sinto uma péssima professora, sorry alunos). Vivo achando que faço demais, passando horas, tardes e domingos preparando aulas, corrigindo, me dividindo entre duas escolas totalmente diferentes e simultaneamente pensar: ainda to fazendo pouco.
Aí te cobram se arrumar melhor, ser simpática, eficiente, CALMA, bem humorada, mas você só pensa na hora que chega à noite pra deitar e esquecer de tudo por algumas horas.

Ufa! Quando tenho esses pensamentos todos, penso na mesma pessoa que imagino que você pensa: pai. Tão orgulhoso me vendo trabalhar, alunos me cumprimentando na rua, pagando minha contas e sendo uma boa filha; que páro de reclamar na hora (mas depois volto ^^).

Só sei que olhar pra frente me deixa triste.
E desculpa o comentário gigante. ^^

.:.A Luciana.:. disse...

Mari, me abraça e vamos chorar juntas kkkk. Não te parece que a gente nunca consegue fechar um ciclo? Eu tô assim: um dia bem, dois dias querendo morrééééé. E o pior é que eu sei que uma hora melhora... mas tá demoraaaaaaando kkkkkk.
=***

Dani Lusa disse...

Li e senti sua angústia. Porque é a minha angústia, também. Senti a ponto de chorar lendo.
Cansa tanto tudo isso. Sinto que nunca faço o suficiente, que nunca está bom, que sempre poderia ser melhor, que não deveria ser assim. Acho que pensar é o problema maior.
Às vezes tenho a sensação de que saí da minha vida, sentei diante dela e estou apenas assistindo-a. Mas não de camarote. Sentada na arquibancada mais baixa. E isso me dói. Dói porque não consigo, ao menos, um lugar melhor. Triste. Egoísta, também, eu sei. Porque há tantas pessoas a quem magoo com isso. E isso dói mais.

Um abraço, Lu.