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A obra Vagabond of the Western World de Luciana Alves Bonfim foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em dontfearthereaper1981.blogspot.com.

Desejados!!!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Tempos difíceis....

Faz tempo que eu vinha pressentindo que esse dia teria que chegar: o dia em que eu sentaria novamente na frente de uma pauta em branco do meu blog pra falar sobre tudo o que aconteceu e vem acontecendo nos últimos tempos.

Os tempos vinham sendo complexos... depois complicados... e então, eles começaram a ser difíceis. Espero que isso não seja um presságio, um mau agouro. Espero que as coisas não piorem e que eu possa reler esse post dando risada. Eu espero.

Hoje de manhã, os professores estaduais acabaram de aprovar em assembléia o final de uma greve que começou há pouco mais de um mês. É muito orgulho fazer parte de uma classe que lutou com todas as suas forças pela sua pauta de reivindicações, dentre as quais não se via melhorias de salário. Quero deixar registrado aqui, no caso de a minha memória histórica vir a falhar algum dia - e eu sei que vai, porque vive falhando - que não foi por melhores salários que os professores marcharam pelas ruas do centro cívico de Curitiba (50 mil, dizem os números). O governo Beto Richa, reeleito com 56% dos votos, quebrou o estado. Em um vídeo de campanha da reeleição, ele diz, nas palavras dele logo depois de reeleito "com as finanças em ordem, com a casa em ordem". Quando perguntado "Tem dinheiro no caixa?" ele diz "Vai ter dinheiro no caixa, nós saneamos as finanças, com a receita que tivemos, vai sobrar mais caixa para os investimentos que queremos". Mentia descaradamente. Tanto que, depois de ver o vídeo de novo, (espero que ainda esteja no ar: https://www.youtube.com/watch?v=48PfTL3u_KM) fico pasma de não termos percebido antes a baita mentira no engasgo da fala dele. 2015 chega e o governador propõe uma comissão geral que analisaria e votaria, em regime de urgência e sem passar pela assembléia legislativa, o que começamos a chamar de "pacotaço": um pacote de medidas austeras para socorrer a situação financeira do estado. Ué, pensamos todos... mas não tinha dinheiro no caixa?

Não cabe rezar a lista dos absurdos propostos pelo desgovernador, como passarei a chamá-lo daqui pra frente. Mas é possível ter uma ideia lendo este artigo http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2015/02/entenda-o-pacotaco-apresentado-pelo-governo-do-parana.html. Foi aí que a magia aconteceu: finalmente, depois de anos me dando vergonha, a APP deflagrou greve geral, com maciça adesão dos professores estaduais. Em pouco tempo, os entornos da ALEP foi tomada por professores de todos os cantos do estado e, quando vimos, estas pessoas tinham ocupado - não invadido, ocupado - o interior da ALEP. Durante um mês e alguns dias, esses professores brigaram: contra o governo que, em primeiro lugar, se negou a dialogar, depois, na figura do desgovernador, se escondeu e mandou os subordinados resolverem a situação e, como se isso não bastasse, mentiu descaradamente na tentativa de sujar a luta dos professores; brigaram contra os pais que não compreendiam que a luta não era por salário, mas pela manutenção de seus direitos e por condições mínimas de trabalho; brigaram contra alunos que, de repente, queriam voltar pra escola porque "era seu direito" - como se por "seu direito" não fosse também prestar atenção na aula, respeitar o professor, participar da aula e contribuir de forma a crescer intelectualmente enquanto indivíduo e quanto grupo.... E, julgo eu, venceram quando o governo finalmente recuou da decisão de levar adiante a comissão geral... depois recuou nos cortes dos benefícios dos servidores... e, por fim, depois que o governo federal considerou inconstitucional, recuou de querer meter a mão no dinheiro da previdência.

Aos professores estaduais se juntaram DETRAN, setores da saúde e professores universitários.Eu mesma fui diretamente atingida pelas desgovernices do desgovernador pois, sendo professora PSS da Unioeste, não fui chamada por motivos de "não vamos chamar PSS pra cobrir licença maternidade de professor - os alunos que comecem o ano sem professor e recuperem depois". Essa era a política do desgovernador: educação pública, gratuita, mas sucateada e feita com gambiarra.

Em meio a tudo isso, o país passa por uma crise política e econômica que eu jamais tinha visto, nem na época de Collor - mas também, eu nem entendia nada em 1991. Vinte e poucos anos depois, estou aqui, vendo perplexa a oposição baseada em princípios políticos e econômicos se tornando em oposição baseada no ódio a um partido, no ódio a uma mulher, como se corrupção nunca tivesse existido no país. Como se partidos como PMDB/PSDB/PSC/PP fossem muito mais santos que PT quando, na verdade, todos se renderam à baixaria e corrupção. Política, hoje, no Brasil, é sinônimo de bandidagem. Mas as pessoas existem em justificar erros do partido A por causa de erros do partido B. "Ah, é bem verdade que partido A fez isso e aquilo, mas olha só o que o partido B fez"; e se acham politizados.

E ahora estoy aqui queriendo convertir los campos en ciudad, mesclando el cielo con el mar...

Tô aqui, em coesão e nem coerência, tentando entender como as pessoas que se dizem politizadas consegue combinar "povo na rua" e "intervenção militar já" em um mesmo cartaz - porque as pessoas hoje em dia têm feito isso, acredite, meu futuro eu ou meu futuro leitor... Tô tentando entender como as pessoas querem um impeachment achando que o candidato vencido no segundo turno das eleições assuma - como se não houvesse uma ordem das coisas, e essa ordem aponta pra pessoas ainda mais suspeitas do que a própria presidente. Gente que perde o jogo e não quer mais brincar, quer levar a bola pra casa.

Houve um tempo na minha vida em que eu defendi totalmente o oposto do que defendo agora (isso parece música do Raul - MAS NÃO É). Hoje, eu entendo que existe uma terceira via. Que, apesar de concordar com alguns pontos defendidos pela direita, eu também concordo com muitos pontos da esquerda. Hoje, eu reconheço... eu sei que a minha postura frente a algumas situações são resultados das pessoas e das leituras que foram me construindo, as quais eu também construí. É claro que eu penso que estou mais certa do que os outros.... mas eu poderia estar tão errada assim?

Só sei que o sentimento hoje foi de medo, meu coração se afundou um pouquinho hoje, de ver tanta gente cheia de ódio, cheia de acusação sem fundamento, cheia de opinião rasa...

Dilma é PT
Beto Richa é PSDB.
E o Brasil tá virado num ódio só.

Alguns links pra matar a saudade:
1. Sobre o camburão que teve que levar os deputados a salvo na ALEP: http://www.esmaelmorais.com.br/2015/03/coluna-do-reinaldo-de-almeida-cesar-o-caveirao-do-chorume/
2. Sobre o Richa sentar na jaca e tomar um NÃO do governo federal em relação ao pretendido roubo à Previdência: http://www.esmaelmorais.com.br/2015/03/confisco-de-r-8-bilhoes-da-paranaprevidencia-e-ilegal-diz-parecer-do-governo-federal/
3. Sobre os 30 mil professores guerreiros lutando pela educação no Paraná: http://www.esmaelmorais.com.br/2015/03/a-greve-continua-aprova-assembleia-com-30-mil-educadores/
4. Sobre o impeachment da Dilma e do Beto: http://www.esmaelmorais.com.br/2015/03/veja-essa-com-o-couro-jurado-richa-se-diz-contra-o-impeachment-de-dilma/


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